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[RESENHA] Just Listen (Sarah Dessen)

Ano: 2010 
Páginas: 308
Idioma: português
Editora: Farol Literário

Sinopse: Depois de ter sido pega com o namorado da melhor amiga numa festa, Annabel Greene começa o ano letivo sozinha e sendo ignorada pelo resto da escola. Mas o que realmente aconteceu naquela noite ainda é segredo, que ela não se arrisca a contar para ninguém. Os problemas de Annabel são explicitados pela recusa da família em admitir os próprios problemas, a fissura da mãe para que as filhas virem modelos famosas e Whitney, a irmã do meio, que sofre de anorexia. Uma amizade com Owen, o DJ da rádio comunitária, que tenta constantemente ampliar os gostos musicais de Annabel, fará a tímida jovem aprender a falar a verdade, doa em quem doer.

Apesar de gostar bastante desse gênero especifico e já presenciar alguns paralelos entre Collen Hoover e Sarah Dessen (ouvir muitas criticas de fãs também), nunca tinha parado para ler algum material dela, esse foi meu primeiro contato, e confesso a vocês que fiquei MUITO surpresa. 

A Sarah tem uma maneira só dela de escrever, ela leva seu próprio tempo e constrói a historia como se tecesse uma teia minimalista, com pontos que no começo são ''aparentemente'' insignificantes, mas que no processo de formar a obra, ganham importância e dão profundidade lindíssima.

Nesse livro temos a Annabel. Ela tinha tudo que qualquer garota desejaria ser. Vive em uma família tranquila e amorosa, tem duas irmãs incríveis e populares, e todas elas fazem trabalho de modelo, porém a vida Annabel é muito mais do que aparências. A profundidade da introspecção dela é tamanha que ninguém em sua casa percebe o quanto ela se sente estranha, triste, ou quando algo a incomoda. 

A autora trabalha várias problemáticas contextualizadas, temos uma mãe que se recuperou de uma depressão, uma irmã com distúrbio alimentar, um pai que não é exatamente um exemplo de presença. No meio desse turbilhão de emoções, Annabel se sente sufocada e não consegue encontrar e usar da sua verdadeira personalidade livre e despreocupada. 

Um dos pontos mais altos da obra são as experiencias familiares. A autora se preocupou em ''juntar'' a família e dar um significado a todas as fases que eles passaram, sempre ajudando um ao outro, o que poderia ser um pouco contraditório com a imagem que temos assim que começamos a ler o livro, mas a realidade é que a autora nos surpreende com momentos muito bonitos e rotineiros, aspectos que poderiam facilmente se encontrar em qualquer família.

A relação de Annabel com whitney me tocou, confesso que me tocou muito mais que a relação dela com owen. Elas duas nunca foram irmãs muito próximas, apesar de conviverem harmoniosamente, ambas eram muito tímidas e quietas. No momento que a doença de whitiney é descoberta, a amizade das duas acontece de forma gradual. 

Poucas coisas me incomodaram no livro, e uma delas é o relacionamento de Annabel e owen. Owen é o cara dos sonhos em uma fôrma sombria, ele é atencioso, meigo, tem um gosto musical peculiar e que apesar de ter tido problemas com raiva no passado, hoje em dia ele é muito bem condicionado e um exemplo de controle. Mas apesar de todas as características fantásticas de ambos os personagens, acredito que eles funcionem muito melhor separados, como amigos, sem uma relação amorosa no meio. Esse foi um dos casais mais sem química de toda minha historia de leitura, sério! Mas não se deixem desanimar por causa disso, esse livro é muito mais que uma historia de amor entre jovens. 

Espero que gostem. 

4/5





[RESENHA] A rebelde do deserto (Alwyn Hamilton)

Ano: 2016 
Páginas: 288
Idioma: português
Editora: Seguinte


Sinopse: O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. 
Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele.

Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.

Amani é forte e corajosa, dotada de uma capacidade espetacular de atirar precisamente nos seus alvos, saber argumentar com sabedoria, tem sentidos aguçados para encrenca e articular planos excelentes. Essas características certamente fariam qualquer um ser respeitado no deserto, qualquer um, menos uma garota pobre e órfã, que é onde ela se enquadra. 

Eu tenho gostado muuuito de livros que retratam a cultura oriental, depois de ler Uma chama entre as cinzas, fiquei encantada com aspectos da mitologia e procurei outros livros com cenários semelhantes, e foi quando encontrei essa obra divina.

 Comecei a ler sem nenhuma expectativas, não conhecia nada da autora nem tive nenhuma indicação direta que falasse sobre a obra. Comecei a ler o livro como quem não quer nada, e logo de cara me deparo com um banquete de mais de 50 paginas contos e crenças sobre a cultura, explicados minuciosamente todos os pontos principais. A leitura é bem fácil de acompanhar , mas como tem explicações detalhadas, demora um pouco para as coisas pegaram um ritmo considerável, então tenha calma e continue lendo. 

 O deserto é um lugar difícil de viver e Amani sabe bem disso, principalmente na vila onde ela mora, onde tudo é escasso e as lembranças são muito dolorosas. O seu maior sonho é fugir de lá e ir para capital Izman,  lugar onde sua mãe sempre sonhou. Ela tem esse plano articulado meticulosamente na sua cabeça e até então tudo já está praticamente encaminhado, até que ela encontra um forasteiro e tudo começa a desandar. 

 O romance é de longe um dos pontos mais apagados da obra (confesso que não senti tanta falta, estava constantemente sendo bombardeada com alguma explosão inesperada). A historia do forasteiro é incrível, e ele subiu muitos degraus no meu conceito quando se mostrou muito mais do que um menino misteriosamente fechado e com um passado doloroso demais para se abrir (eca). 

A relação de irmandade é um pouco trabalhada na obra, não é nada muito emocionante e diferente do normal, mas acredito que a autora vá trabalhar esse ponto no próximo livro (esperamos). O preconceito em relação a mulheres e seres espirituais também é muito debatido e focalizado.

A exportação de armas e a constante observação do exterior nesses países do oriente é retratado de forma muito contextualizada com a mitologia. Uma sacada muito interessante da autora que consegue despertar a curiosidade de muitos pessoas sobre o assunto. 

Considerei uma leitura fantástica e com pouquíssimos erros ,estou extremamente ansiosa pelo próximo livro. Espero que gostem.

5/5


[RESENHA] Prometida (Carina Rissi)


Ano: 2016
Páginas: 476
Idioma: português
Editora: Verus


Sinopse: Elisa Clarke anda um pouco entediada. Seus dias parecem iguais e os bailes há muito deixaram de trazer algum prazer a ela. Não que seja uma surpresa, pois sempre que ela está presente os eventos se tornam um desastre! E é injusto, já que ela foi uma boa moça a vida toda. Nascida em uma das famílias mais influentes, a jovem aprendeu desde pequena a respeitar as normas sociais e se manter longe de escândalos. Na única vez em que ignorou uma dessas regras acabou noiva. E foi apenas um beijo, ora bolas!
Um beijo com o qual Elisa fantasiou desde que conheceu e se apaixonou irrevogavelmente pelo belo e gentil jovem médico e que, como acontece nos contos de fadas, mudou sua vida para sempre. Mas não da maneira que ela esperava. Como consequência, agora está prometida a alguém que a despreza tanto que preferiu viver em outro continente. Tudo o que ela deseja é que as coisas permaneçam assim.

Mas Elisa não sabe que seu noivo está a caminho do Brasil, e ela terá de enfrentar o homem cujo coração um dia se viu forçada a partir.
Destinados a ficar juntos, mas separados por seus corações, eles se envolverão em uma sinuosa dança marcada por segredos, mágoas do passado, intrigas e uma arrebatadora paixão que colocará em perigo não apenas seus sentimentos, mas a vida de ambos.


Após dedicar meu querido tempo aos 3 primeiros livros da Carina, posso afirmar com toda convicção que eles são incríveis (tirando os pontos de exclamação exagerados no primeiro livro). Por conta da minha ótima experiencia com a autora, minhas expectativas fora parar nas nuvens quando eu soube da proposta de um novo livro, e ainda mais que se tratava da doce e ingenua Elisa. Porém, fiquei um pouco desapontada com o desenrolar dessa obra.

Elisa já não é a mesma menina que conhecemos nos primeiros livros. Nessa historia ela é uma mulher decidida e madura que sabe exatamente o que quer e onde quer. Apesar de toda a transformação e amadurecimento da sua personalidade, ela não perde a essência da menina de coração grande, prestativa e atenciosa de sempre.

Apesar de não conhecer profundamente, eu já tinha um perfil desenhado pra Lucas, e foi esse ponto especifico que me frustrou mais na obra. Lucas não chega nem perto do rapaz que eu tinha imaginado, e acredito que todas as leitoras da Carina imaginavam alguns aspectos que não cruzaram com esse novo lucas que nos é apresentado. Ele é um ótimo rapaz, mas eu só pude perceber isso na ultima parte do livro. A imagem dele é um pouco confusa na primeira parte do livro e chega a ser um pouco chato de ler. 

Elisa e Lucas funcionam bem juntos, são cordiais e atenciosos um com o outro. Mas sem querer comparar e já comparando, eles não conseguem se igualar ao patamar do relacionamento de Ian e Sofia, nem de longe.

Nesse livro Nina ta enorme, e já tem uma irmãzinha. E alguns dos melhores pontos do livro foi quando Ian e Sofia apareciam e roubavam a cena. 

Apesar alguns pontos negativos, posso dizer foi uma leitura prazerosa. A carina escreve muito bem e os seus personagens e cenários são bem elaborados. Além da capa que muito linda (Prometida e Destinado são tem capas maravilhosas)

Espero que gostem e apostem mais na literatura brasileira. 

 3/5



[RESENHA] Lola e o garoto da casa ao lado (Stephanie Perkins)



 Ano: 2012 /
 Páginas: 288
 Idioma: português
 Editora: Novo Conceito


Sinopse: A designer-revelação Lola Nolan não acredita em moda… ela acredita em trajes. Quanto mais expressiva for a roupa — mais brilhante, mais divertida, mais selvagem — melhor. Mas apesar de o estilo de Lola ser ultrajante, ela é uma filha e amiga dedicada com grandes planos para o futuro. E tudo está muito perfeito (até mesmo com seu namorado roqueiro gostoso) até os gêmeos Bell, Calliope e Cricket, voltarem ao seu bairro.

Quando Cricket — um inventor habilidoso — sai da sombra de sua irmã gêmea e volta para a vida de Lola, ela finalmente precisa conciliar uma vida de sentimentos pelo garoto da porta ao lado.

A primeira impressão que tive desse livro foi dele ser só mais um clichê pra minha coleção. Aparentemente Lola é uma garota de 17 anos que vive com seus pais, o tipico romance na primeira pessoa que te enche com os pensamentos comuns de uma adolescente chatinha, porém eu estava completamente enganada. Lola é uma garota estranha, ela é uma das personagens mais diferentes que eu já li. Ela sempre está com roupas diferentes, como tutus de bailarina e perucas de diversos formatos e cores, um dos seus maiores projetos é um vestido da Maria Antonieta. 

Cricket é doce, um rapaz de coração bom e cheio de gentileza. É impossível não se apaixonar por ele. No começo eu fiquei meio em duvidas sobre o passado dele e o quanto ele poderia ser prejudicial pra lola e sua relação com Max (Max é o pior namorado de todos os tempos, sério.) mas assim que conheci ele consegui compreender a dimensão da sua gentileza e o quanto ele presta atenção até nos mínimos detalhes. 

A relação familiar é muito bem trabalhada na obra, somos apresentados a um conflito extremamente difícil de superar, mas a autora trabalha muito bem os traumas e traz soluções simples e sucintas, onde são muito bem efetivadas.

A autora escreve incrivelmente bem, o seu vocabulário é simples porém muito recheado de expressões e livre de onomatopeias (graças a Deus), a leitura é bem levinha e fluida, dá pra ler em um dia. 

Espero que gostem, abraços.
  
4,5/5

[RESENHA] Uma chama entre as cinzas (Sabaa Tahir)

Ano: 2015 
Páginas: 432
Idioma: português
Editora: Verus

Sinopse: Laia é uma escrava. Elias é um soldado. Nenhum dos dois é livre. No Império Marcial, a resposta para o desacato é a morte. Aqueles que não dão o próprio sangue pelo imperador arriscam perder as pessoas que amam e tudo que lhes é mais caro. É neste mundo brutal que Laia vive com os avós e o irmão mais velho. Eles não desafiam o Império, pois já viram o que acontece com quem se atreve a isso. Mas, quando o irmão de Laia é preso acusado de traição, ela é forçada a tomar uma atitude. Em troca da ajuda de rebeldes que prometem resgatar seu irmão, ela vai arriscar a própria vida para agir como espiã dentro da academia militar do Império. Ali, Laia conhece Elias, o melhor soldado da academia — e, secretamente, o mais relutante. O que Elias mais quer é se libertar da tirania que vem sendo treinado para aplicar. Logo ele e Laia percebem que a vida de ambos está interligada — e que suas escolhas podem mudar para sempre o destino do próprio Império.

Essa é umas das distopias mais I-N-C-R-I-V-E-I-S que eu já li! A autora é tão minuciosa, cria cada detalhe com tanta perfeição, vai do cenário, com descrições impressionantes, as casas, o interior delas, as ruínas, o subsolo, tudo é tão diferente e inspirador que a tarefa de ter uma leitura longa e despretensiosa é impossível. A trama é extremamente envolvente, você se sente presa ao livro de tal forma que sofre e vibra com os personagens como se eles fossem os seus melhores amigos.

Laia é uma menina simples que vive com seus avós e seu irmão mais velho. Ela leva uma vida monótona até o dia em que aparecem mascaras (guerreiros do império marcial) e levam seu irmão preso. Laia irá fazer de tudo para salvar o seu irmão, da mesma maneira que ele faria por ela. Uma das coisas mais marcantes na narrativa de Laia é o sofrimento. Ela sofre muito, e aguenta firme todas as punições e indiretamente todo o seu percurso serve de amadurecimento. Começamos a leitura com uma menina fraca, com expectativas de vida baixa e meio vitimizada por algumas situações, entretanto quando terminamos, somos apresentados a uma Laia madura, com ideologias firmadas, uma garota que sabe o que quer. 

Já Elias tem uma historia diferente, antes de chegar ao império marcial ele tinha uma vida feliz, apesar das circunstancias, ele tinha uma família. Após ser selecionado ele é aprimorado se torna o guerreiro mais temido do reino, porém apesar de ser uma das armas mais letais do governo, o seu maior desejo é ser livre, ele não concorda com a maneira violenta e ditatorial que os seus superiores se comportam,(a punição para quem é pego fugindo é a morte).

O livro inteiro é surpreendente, existe um suspense psicológico que te prende até o final do livro (o segundo livro ainda não foi lançado no Brasil, então para não sofrer como eu, leia devagar) os capitulos são alternados entre Elias e Laia. Não consegui escolher um favorito, a minha admiração ficou equilibrada com os dois. 

5/5 Espero que gostem! 





Ilustração, design e desenvolvimento: